Dieta cetogênica: o que você precisa saber a respeito

Embora a denominação possa sugerir uma grande novidade no segmento de dieta e emagrecimento, a verdade é que a dieta cetogênica começou a ganhar popularidade por volta das décadas de 1920 e 1930. Originalmente elaborada com finalidade terapêutica, a sua indicação se voltava ao tratamento de crianças com determinados tipos de epilepsia, uma vez que esse tipo de regime alimentar auxilia no controle das crises. Porém, para além do seu propósito terapêutico, o fato é que a dieta cetogênica já se tornou uma velha conhecida de muitos, que muitas vezes se referem a ela como “dieta sem carboidrato” ou, simplesmente, “low-carb”. Estes nomes lhe são mais familiares?…

Por falar em família, quem é diabético ou acompanha de perto os cuidados com um familiar que precise tratar desse distúrbio metabólico – principalmente o diabetes tipo 1 –, sabe bem a quais “particularidades” o termo “cetogênico” remete e, sobretudo, os cuidados para evitar a fabricação dos chamados “corpos cetônicos”. Como se sabe, o efeito provocado pela deficiência de insulina é a alta concentração de açúcar na corrente sanguínea e, uma vez que os carboidratos não chegam até as células, estas passam a se alimentar do estoque de gorduras. É nesse processo que se formam as cetonas, que, altas por um longo período e somadas a um sangue mais ácido e à taxa de açúcar elevado, acabam culminando com uma grave complicação: a cetoacidose diabética.

Todavia, se para alguns a produção de cetona pode configurar um risco à saúde, para outros ela pode oferecer benefícios consideráveis – daí a razão pela qual a dieta cetogênica vem conquistando cada vez mais adeptos.

Na dieta cetogênica, diminui-se a ingestão dos carboidratos e aumenta-se a de gorduras e proteínas. O processo tem as suas semelhanças com o descrito anteriormente: o objetivo é que o alto nível de cetonas no sangue e na urina (aqui, apenas cetose nutricional ou cetose dietética, diferentemente da cetoacidose diabética) favoreça uma perda rápida de peso, já que, para começar a queimar a gordura, o organismo queima primeiramente os estoques de glicose. Com a reintrodução do carboidrato na rotina, a cetose é interrompida – o que não acontece em relação ao diabético tipo 1, cujo corpo não sabe quando parar de produzir cetona.

 

O que é ou não permitido na dieta cetogênica? Há contraindicações?

Antes de passarmos aos alimentos, é importante que os interessados na perda de peso tenham sempre em perspectiva a importância do acompanhamento médico. Afinal, o ideal é que o planejamento de toda e qualquer dieta seja realizado considerando sempre as reais necessidades e particularidades de cada um. Pensando nisso, a Corpuris Salus, por exemplo, criou o Protocolo Personalizado de Emagrecimento Saudável, um tratamento que, por meio da medicina integrativa, contempla cada paciente como um todo, identificando tanto as suas necessidades físicas, hormonais e/ou psicológicas quanto as possíveis doenças que lhe possam estar associadas.

De todo modo, existem algumas orientações gerais em relação à dieta cetogênica. Como já é de se imaginar, os alimentos que contêm altas concentrações de carboidratos – como arroz, massas e pães – devem ser praticamente eliminados do cardápio, ao passo que carnes, peixes, ovos, gorduras, maionese, azeites e óleos são permitidos, bem como hortaliças, legumes e chás sem açúcar.

Neste ponto, entretanto, é essencial um esclarecimento acerca de uma confusão muito comum entre aqueles que aderem à dieta low-carb: ao contrário de outras, a dieta cetogênica não contempla um plano alimentar com um consumo significativo de proteína. Aqui, são as gorduras que constituem a principal fonte de energia para as células, isto é, cerca de 60% a 70% do total de calorias ingeridas diariamente. Os outros 30% a 40% correspondem à ingestão de proteínas, e somente de 2% a 8% à ingestão carboidratos.

Vale acrescentar, todavia, que o emagrecimento viabilizado por esse plano alimentar não consiste, exclusivamente, na substituição de um macronutriente por outro. Em outras palavras, isso quer dizer que, se o paciente ingerir gorduras e proteínas no lugar de carboidratos, mas não diminuir a quantidade de calorias consumidas diariamente, o corpo continuará obtendo toda a energia de que precisa por meio da alimentação – o que implica que o estoque de gorduras será mantido. Daí a exigência de que, para que a dieta cetogênica alcance os resultados almejados, o total de energias gastas seja maior do que o total de energias consumidas.

Outro cuidado fundamental no que diz respeito à dieta cetogênica é referente à hidratação, especialmente antes, durante e depois da prática de atividade física.

Por essas características é que a dieta cetogênica não é indicada para pessoas que tenham mais de 65 anos, que apresentem insuficiência hepática ou renal, doenças cardiovasculares ou cerebrovasculares, bem como pacientes em tratamento com cortisona.

 

E quanto aos resultados: quais os diferenciais dessa dieta, afinal?

Embora os primeiros dias possam parecer um pouco mais difíceis para quem inicia a dieta cetogênica (incluindo-se aí a afetação do próprio humor, haja vista que o carboidrato produz serotonina no organismo), o fato é que, passados os primeiros dias e já com a produção dos corpos cetônicos, o metabolismo vai voltando ao normal e a tendência é de que a disposição do paciente seja até maior do que antes. Mas, sem dúvida, o que merece destaque é a maior rapidez com que o peso é eliminado – diferencial que tende a servir de estímulo para a manutenção da dieta e para que, a partir dela, muitas pessoas acabem revendo, em definitivo, os seus hábitos alimentares.

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